6 de jun. de 2013

Nasrudin

Você conhece ou já ouviu falar de Nasrudin? 

As histórias de Nasruddin são conhecidas em todo o Oriente Médio e tocaram as culturas ao redor do mundo. Superficialmente, a maioria das histórias de Nasruddin podem ser ditas como piadas ou anedotas de humor. Eles são contadas e recontadas eternamente em casas de chá e caravançarás da Ásia e podem ser ouvidos nas casas e nos rádios. 

Fonte: Wikipedia




Veja um pequeno conto de Nasrudin

Lição de economia


Um amigo de Nasrudin frequentemente ouvia latidos de cachorro quando passava em frente a casa dele. 

No portão havia um aviso: "CUIDADO, CÃO FEROZ!". Entretanto, ele nunca tinha visto tal cão. 

Certo dia, muito curioso, ele foi até a casa de Nasrudin e o chamou.

Quando Nasrudin chegou à porta, o amigo perguntou:

- "Nasrudin, onde você esconde o seu cão, pois nunca o vi?"

Nasrudin chegou perto do ouvido dele e falou baixinho:

- "Vou contar um segredo e por favor não revele a ninguém", disse Nasrudin. 

"Acontece que um cão dá muita despesa de comida e outros tratos. Eu resolvi fazer economia. Com o cão que tive há muito tempo aprendi a latir. Depois dispensei o cão. Uma vez ou outra, ou quando alguém se aproxima do portão, eu chego à porta e começo a latir. Isso funciona, As pessoas leêm o aviso e escutam os latidos e ficam convictos de que eu tenho segurança"

- "E o melhor! Sem gastar absolutamente nada!" Complementou Nasrudin.



Fonte: http://www.nasrudin.com.br/novas/licao-de-economia.htm

7 de mai. de 2013

Saiba mais - Clarice Lispector


Se você gostou de conhecer Clarice Lispector e quer tentar entender o mundo da autora, veja "10 questões para entender Clarice" e saiba mais sobre a escritora que mudou a forma de narrar da literatura brasileira



Macacos - Clarice Lispector


M A C A C O S



Clarice Lispector

Era Ano Novo e o meu presente tinha acabado de entrar pela porta. Para minha surpresa não era um brinquedo novo, mas sim um MICO. Ele entrou rápido pela porta comendo bananas e examinando tudo o que via, balançando seu longo rabo. Subia e descia pelos varais e dava berros e gritos, jogando as cascas de banana por todo lado.

Meu menino menor sofria com o medo de que o macaco morresse e eu passei a ser a responsável por cuidar do macaco e por não permitir que nada de ruim acontecesse a ele. Mas um dia, uma amiga minha vendo toda a minha preocupação pelo macaco, levou-o embora e o entregou a uns meninos que viviam no morro próximo a minha casa.

Um ano depois, passeando por Copacabana vi uma multidão. Aproximei-me e vi que um homem vendia macacos. Lembrei dos meus filhos e imaginei como ficariam caso ganhassem outro macaco de estimação. Porém, não era um simples macaco, era uma macaca: Lizette.

Lizette era pequenininha e mal cabia na palma da mão. Tinha saia, brincos, colar e pulseira de baiana, além de olhos redondos, grandes, vivos.

Lizette era toda delicada, doce, jamais desarrumava suas roupas e adorava o colar vermelho brilhante que carregava em seu pescoço. A macaquinha também adorava dormir, mas era terrível para comer… tinha preguiça de comida. Os meninos a adoravam e como carinho recebiam mordidinhas de leve, como forma de afeição.

No terceiro dia em que Lizette estava em nossa casa reparei nos seus gestos um ar de lerdeza e suavidade além da conta. Pensei: mas isso não é suavidade, isso é morte.

Percebi naquele momento que Lizette estava partindo e chamei meus meninos e contei o que acabava de descobrir.

Vi meus filhos tristes e naquele instante percebi até que ponto nosso amor por ela teria chegado. Enrolei Lizette num guardanapo e fui ao hospital mais próximo.

No hospital eu olhava para Lizette, mas não a reconhecia. Aqueles grandes olhos que havia citado, agora eram pequeninos e exaustos. O médico lhe dava oxigênio e Lizette desejava reagir, mas não conseguia.

O enfermeiro que ali estava disse-me de forma rude de que Lizette não sobreviveria e ainda sim, censurou-me alertando-me sobre ter comprado macaco na rua…

Voltei-me para os meus meninos e ficamos em silêncio por um segundo. Decidimos que se o enfermeiro a curasse, ele poderia ficar com ela como prêmio pelo grandioso trabalho.

O enfermeiro olhava para Lizette e dizia que ela era bonita. Levantava seus braços, mexia em suas perninhas e ela quase não respondia. Olhou, olhou e mesmo após a proposta disse-me que Lizette era nossa, e que não a queria.

Fomos embora de guardanapo vazio e no dia seguinte ligaram para nossa casa informando que Lizette tinha acabado de morrer.

Meu menino mais novo olhou-me nos olhos e perguntou:

- Você acha que Lizette morreu de brincos, mamãe?

-Sim – respondi.

Uma semana depois meu filho mais velho disse:

-Mãe, você se parece tanto com a Lizette.

-Eu também gosto de você – respondi.

29 de abr. de 2013

Ortografia



Quando alguém lhe pergunta o que quer dizer uma palavra, você, provavelmente, responde: “depende do contexto”. Isso porque, para determinar o que uma palavra significa, precisamos saber que letra vem antes e que letra vem depois

E o fonema /s/? Com quantos grafemas podemos representá-lo? Respire fundo e encare a lista: 




Hora do jogo!



Divirta-se!




23 de abr. de 2013

Desenhando Clarice

Esse espaço está reservado para a publicação dos desenhos/releituras dos alunos do Meta em relação a impressão de leitura do conto "Tentação" de Clarice Lispector.






Tentação - Clarice Lispector





TENTAÇÃO

Clarice Lispector
Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
   Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
   Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
   Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
   A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
   No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
   Mas ambos eram comprometidos.
   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
   A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.
   Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás
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Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.





Clique na imagem e ouça a leitura do conto.




Assista a gravação da entrevista com Clarice Lispector.